Markets & Music

08/04/2009

IPCA desacelera e sobe 0,20% em março, informa IBGE

Arquivado em: Mercados, Notícias — Paula Laier @ 9:17

O IPCA desacelerou em março e apresentou variação de 0,20% – 0,35 pp abaixo da taxa de 0,55% de fevereiro e de 0,48% de março de 2008. No primeiro trimestre, o índice acumula alta de em 1,23%, abaixo da taxa de 1,52% relativa ao mesmo período do ano passado. Nos últimos doze meses, o resultado situou-se em 5,61%, também abaixo da taxa dos doze meses imediatamente anteriores (5,90%). Em março de 2008, a taxa havia ficado em 0,48%.

 

Update 10h – O IPCA saiu em linha com as expectativas. Conforme informações de agentes do mercado, as taxas dos DIs abriram o dia nos mesmos níveis da véspera e agora recuam. Instantes atrás, o contrato janeiro/2010 está em 9,72%, de 9,76% ontem. O janeiro/2012 está em 10,90%, de 10,95% ontem – na máxima chegou a 10,96%. Mas a liquidez segue bastante reduzida,de acordo com esse profissionais.

 

Relatório do BNP Paribas distribuído a clientes pondera que, apesar da leitura baixa em março, o IPCA deve acelerar nos próximos meses, refletindo o aumento nos preços administrados na habitação (serviços de água e esgoto e energia elétrica), saúde (produtos farmacêuticos) e o esperado impacto da alta dos impostos sobre o cigarro começando em maio. Para abril, a instituição prevê uma variação de 0,40% para o índice, acelerando para 0,49% em maio.

 

“Pode ser que o barco vire…também pode ser que não…” (Casa, Lulu Santos)

06/04/2009

Avanço na curva de juros foi pontual ou pode continuar?

Arquivado em: Mercados — Paula Laier @ 23:58

E depois de um recesso razoável dedicado ao ócio criativo (entenda lendo Claudia e Nova na praia) retomo o blog para falar um pouco do mercado de DI. Na semana passada, as taxas futuras mostraram algum descolamento dos demais ativos brasileiros e subiram. O movimento até encontra justificativa na correlação entre a alta nas bolsas e a expectativa de que o nível de atividade mostre crescimento, logo, poderia haver pressão na inflação. No sentido inverso, quando a bolsa cai, os juros precisariam sinalizar queda para ajudar na recuperação da economia, logo, favorece a alta das ações das empresas.

 

Na semana passada, a expectativa em relação à melhora do cenário econômico doméstico e externo, após a euforia causada pela intenção de mais um plano de estímulo com efeito global proporcionou, ganhos generalizados nos índices acionários globais e amparou o avanço da curva de juros.  Hoje, além das baixas nos mercados acionários globais, a divulgação da Pesquisa Focus do BC mostrando uma previsão negativa para a variação do PIB brasileiro em 2009 e revisões para baixo nas medianas da inflação serviu como argumento para o recuo nas taxas dos DIs.

 

A questão é se a abertura das taxas na semana passada tende a continuar?

 

Relatório do Banco Santander distribuído na última sexta-feira aponta sinais “menos ruins” de atividade econômica no Brasil e no mundo. Hoje, a Anfavea divulgou nova recuperação do setor em março ante fevereiro. No Focus, a mediana do Top Five de médio prazo para o IPCA subiu – o que para um profissional da área de DI pode ser uma antecipação do reajuste de 5,9% nos preços de remédio, anunciado no último dia 31 pela Anvisa. “O IPCA de março pode não capturar isso na ponta, mas o IPCA-15 de abril deve vir acelerado”, avalia o especialista.

 

O profissional, inclusive, vê ainda espaço para a curva de juros “abrir” no curto prazo, e não descarta que o contrato de DI 2012 chegue a 11,25% “rápido”, em particular se o Ibovespa permanecer acima dos 42 mil pontos. “É o IPCA, que sai na quarta-feira, o dado que definirá se o mercado estressa logo ou ‘bate’ um pouco para puxar depois.”

 

Será?

 

“I worry about the wind…you worry about the rain…I worry about the wind…but that rain getting in your eye…”(Hal)

10/02/2009

Can music predict the stock market’s volatility?

Arquivado em: Curiosidades, Music — Paula Laier @ 0:02

Na edição de dezembro, a revista norte-americana SmartMoney trouxe reportagem com o título Can Music Predict the Stock Market’s Volatility? (A música pode prever a volatilidade do mercado acionário?) , em que citava estudo de Phil Maymin, professor no Instituto Politécnico da Universidade de Nova York, atrelando o movimento das bolsas com a parada Billboard. Ao combinar dados de 50 anos do mercado de ações com mais de 5 mil hits musicais, ele chegou a uma correlação inversa entre momentos de volatilidade e se a trilha sonora do momento é agitada ou calma. Ou seja, quando as bolsas sustentam fases de alta volatilidade, as músicas que lideram as paradas de sucesso tendem a apresentar uma batida mais calma, e vice-versa.

Sem entrar no mérito da questão sobre a validade do estudo e sendo este blog intitulado justamente ‘Markets and Music’, achei que valia traçar um paralelo como o revelado na pesquisa de Maymin – tudo, claro, guardadas as devidas proporções. Pedi a um amigo, o também jornalista Ivan Finotti (repórter especial do Ilustrada, da Folha de S.Paulo), cinco músicas que fizeram sucesso em 2008. A lista me surpreendeu nem tanto pela melodia, mas pelo teor das letras, a começar pelos títulos, que parecem mesmo refletir o ânimo entre os investidores no ano passado. Muito interessante…

A lista com os links para o vídeo e letra, respectivamente:

“Time to Pretend” – MGMT
Video / Letra

“Road to Recovery” – Midnight Juggernauts
Video / Letra
“White Winter Hymnal” – Fleet Foxes
Video / Letra
“Repetition Kills You” – Black Ghosts
Video / Letra
“That´s Not My Name” – Ting Tings
Video / Letra

Este ano, a volatilidade permanece, mas a esperança com a posse de Barack Obama nos EUA e os pacotes de estímulo econômico ou novos planos de ajuda para o setor financeiro tem proporcionado momentos de trégua no mercado. E nesse contexto vale olhar para um dos lançamentos:

“Working on a Dream” – Bruce Sprignsteen
Video / Letra

E 2009 está apenas começando….

27/01/2009

Uma nova versão de Bretton Woods? Is that the way it ought to be?

Arquivado em: Opinião — Paula Laier @ 9:50

“Essa ordem viria a ser marcada por um compromisso em manter taxas de câmbio fixas, por relações comerciais não discriminatórias, em que nação alguma fosse favorecida, por uma reconstrução rápida das economias devastadas e pelo objetivo ambicioso de desenvolver a economicamente os países pobres”  (trecho do livro ‘Changing Fortunes’, de Paul Volcker e Toyoo Gyohten)

 

É de um novo Bretton Woods que o mundo precisa? No caderno de fim de semana da última sexta-feira do jornal Valor Econômico, reportagem sobre a ética no mercado financeiro cita comentário de Marcos Fernandes Gonçalves da Silva, coordenador pedagógico da Escola de Economia da FGV (SP) e autor do livro “Ética e Economia-Impactos na Política, no Direito e nas Organizações, sobre isso. O professor lembra que a ganância foi a motivadora de hipotecas que permitiram a especulação e esta foi derrubando instituições criadas para emprestar ao capitalismo aqueles princípios fundamentais. “A Califórnia consumir 20% da gasolina global é uma atitude absurda, sem ética nenhuma. Para isso, foi preciso destruir as regras de Bretton Woods, a fiscalização, a regulação, que agora terão que ser resgatadas.” Apenas para acrescentar, a edição do caderno traz justamente entrevista com Paul Krugman.

 

“I don’t know what to say about it, when all you ears have turned away, but now’s the time to look and look again at what you see. Is that the way it ought to stay?” (That’s the way, Led Zeppelin)

26/01/2009

Captações corporativas: taxas limitam emissão local e mercado externo está fechado

Arquivado em: Opinião — Paula Laier @ 17:49

Não é positivo o quadro atual e no curto prazo para o mercado de emissões corporativas . Análise da equipe da Bradesco Corretora, em relatório enviado a clientes hoje, diz que o segmento doméstico de debêntures permanece contido com o atual patamar de taxas, enquanto o mercado externo segue fechado para captação corporativa. Os economistas da instituição observam que a terceira semana de janeiro começou “sem sequer uma operação de debênture aguardando registro no pipeline da CVM” e que “o mercado externo para emissão corporativa continua fechado e não ocorre nova emissão (bonds corporativos) desde o final da primeira quinzena de julho de 2008”.

 

Na visão dos especialistas, o ponto central a ser comentado é qual o montante de dívida que vencerá até o final de 2009 e de que forma ela poderá ser renovada.

  

No relatório, eles citam números importantes referentes a isso. Os vencimentos de títulos de dívida no mercado externo em 2009 e em 2010 deverão girar em torno de US$ 7,7 bilhões (incluindo os títulos soberanos). Desse total a vencer, conforme a Bloomberg, cerca de US$ 3,6 bilhões ocorrerão até o final de 2009. Considerando somente os bonds de emissão corporativa, o volume total no período 2009/2010 atinge cerca de US$ 1,5 bilhão sem grande concentração setorial.  O total de vencimentos de debêntures nos próximos vinte e quatro meses soma R$ 11,7 bilhões. Desse saldo, (base 20/01/2009, fonte SND – Serviço Nacional de Debêntures) 30,4% vencem até o final de 2009 (R$ 3,5 bilhões) e 69,4% vencerão em 2010.

 

 

Para a equipe da Bradesco Corretora, as chances de novas emissões no mercado externo não reservam muitas surpresas, apesar dos bons fundamentos do Brasil, que se encontra bem posicionado entre os emergentes. “Acreditamos que com o mercado externo mais restrito (limitado à emissão de títulos soberanos e quase soberanos e algumas grandes empresas) a busca de recursos no mercado doméstico se intensificará e poderemos ver uma retomada mais consistente a partir do segundo semestre do ano. Existe demanda pelos investidores por debêntures, porém com prazos mais curtos e de acordo com o novo nível de taxa praticada atualmente”, analisam.

 

 

“Trouble with dreams is they don’t come true”. (Trouble with dream, Eels)

How you do that trick: o que mais o Fed pode fazer?

Arquivado em: Mercados, Opinião — Paula Laier @ 10:55

Os mercados permanecem nervosos com a acentuada deterioração econômica e os problemas no setor financeiro, o que está minando as esperanças de uma recuperação rápida na maioria dos chamados mercados desenvolvidos. Nesta semana, o destaque na agenda internacional é a reunião do Fed, na quarta-feira, dia 28. A questão é o que a autoridade monetária norte-americana ainda pode fazer.

 

Na visão da equipe de economistas do Santander, não há muito que possa ser feito.  “Todas as fichas foram jogadas na última reunião, quando as taxas foram reduzidas ao mínimo e a autoridade monetária formalizou a adoção de políticas de expansão quantitativas. Esgotadas as opções monetárias, o foco agora é a política fiscal do presidente eleito. Pronunciamentos do novo líder ou de integrantes de sua equipe econômica tendem a sensibilizar mais os mercados que os dados da economia”, diz, em relatório.

 

Os economistas do UBS Pactual esperam que o Fed sinalize a intenção de continuar a abordar a turbulência no mercado financeiro e estimular a economia e aguardam mudanças substanciais em relação ao comunicado da reunião anterior.  “E se elas se confirmarem, esperamos que sejam na direção de os diretores do Fomc, de forma mais clara, expressarem sua preocupação com a desaceleração demasiada da inflação e sinalizarem planos para ampliar ainda mais os diversos programas de créditos que estão elevando o balanço do Fed”, consideram, em relatório.

 

“Show me, show me, show me how you do that trick”. (Just Like Heaven, The Cure)

22/01/2009

Pois aconteceu: BC superou o mercado e fez o que devia

Arquivado em: Mercados, Opinião — Paula Laier @ 3:24

“Aconteceu, o que aconteceu, foi melhor assim, estava por um fio, estava por um triz, estava já no fim. Todo mundo via que acontecia, pois aconteceu. Era o que devia.” (Aconteceu, Marisa Monte e Arnaldo Antunes)

 

A decisão do Copom ontem pode ter surpreendido em razão do histórico conservador do Banco Central, mas não chega a causar estranheza – tanto que muitas apostas já haviam migrado justamente para a queda de 1 ponto porcentual desde a terça-feira.  “Os dados de inflação têm vindo bem positivos e os dados de atividade indicam forte desaceleração. A decisão é correta”, avaliou o sócio de uma asset em São Paulo.

 

Não serão, contudo, poucos os que discutirão hoje se o BC cedeu ou não às pressões da ala desenvolvimentista do governo ao adotar um corte mais agressivo do que a maioria dos analistas aguardava (0,75 ponto).

 

Para o sócio de uma corretora em São Paulo, o Copom não cedeu, apenas aguardou os novos números para baixar os juros.  “O BC está além do que o mercado quer. Ele não faria isso a troco de nada. O que surpreendeu foi que a inflação passou para deflação, além dos 600 mil empregos perdidos em dezembro…Está mais do que provado que estamos entrando em um ciclo recessivo, mesmo que seja curto. Isso deu munição para o BC reduzir a Selic”, analisou.

 

No comunicado que acompanhou a decisão, o BC disse que começou o ciclo de flexibilização do juro realizando de imediato parte relevante do movimento. Em relatório distribuído após a decisão, uma instituição financeira estrangeira avaliou que tal citação fornece mais informação sobre o ritmo do afrouxo monetário do que o ciclo total a ser cumprido. “Assim, se a economia não responder nos próximos meses ao estímulo monetário, muitos mais cortes viriam.”

 

As atenções agora se voltam para a ata da reunião, que será divulgada na próxima semana.  Antes disso e na expectativa sobre o que esse documento irá indicar, porém, os mercados locais certamente reagirão à decisão e ao comunicado que acompanhou o anúncio da queda do juro básico para 12,75% ao ano.

 

No caso dos DIs, o comunicado permite à curva precificar um corte perto de 1 pp na reunião de março, o que tende a beneficiar os vencimentos mais curtos, avalia o banco estrangeiro, prevendo que o DI janeiro/2010 deve cair de 11,15% para 11,00%. No caso das taxas mais longas, a reação deve ser mais tímida, estima. “O balanço de riscos mais o fluxo de dados ainda dão suporte ao mercado de juros, mas a relação risco/retorno já não é mais tão atrativa.”

 

Ontem, o DI janeiro/10 encerrou a 11,15%, de 11,24% na véspera, de acordo com a BM&FBovespa.

 

No câmbio, “a ação mais agressiva do Copom não deve inviabilizar nossa previsão de alta técnica do real, que deve testar o nível de R$ 2,30 contra o dólar”, avalia a instituição estrangeira. A decisão de ontem, contudo, apenas confirma que a política monetária e a perspectiva de crescimento não irão desencadear um grande rali do real, analisa. “Nós continuamos a ver o real operando em um tom fraco no primeiro semestre de 2009.”

 

Ontem, o dólar comercial encerrou a R$ 2,352, em queda de 0,80%.

 

Na Bovespa, o corte ousado do Copom pode animar os investidores. Conforme chamou a atenção o sócio da corretora citado acima, a Bolsa brasileira já está descolada de suas pares em Nova York. E uma decisão como a de hoje pode ajudar ainda mais.

 

O Ibovespa terminou o dia em alta de 3,41%, aos 38.542 pontos.

21/01/2009

Copom corta Selic em 1 pp, para 12,75%; placar 5×3 (0,75pp)

Arquivado em: Notícias — Paula Laier @ 19:25

“Avaliando as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 12,75% ao ano sem viés por cinco votos a favor e três votos pela redução da taxa Selic em 0,75 ponto. Com isso, o Comitê inicia um processo de flexibilização da política monetária realizando de imediato parte relevante do movimento da taxa básica de juros, sem prejuízo para o cumprimento da meta de inflação.”

“A rosa triste que vivia fechada se abriu…” (A Banda, Chico Buarque)

Copom divide mercado: 0,50pp, 0,75pp, 1pp – decisão unânime, 5×3 ??

Arquivado em: Notícias, Opinião — Paula Laier @ 18:35

De duas fontes muito experientes sobre a decisão do Copom de daqui a pouco:

“Acho que eles sancionam o mercado e cortam 0,75 pp. Se houver algum voto diferente, pode ser por mais corte do que o Comitê indicou. Mas como eles não irão querer indicar o tamanho do corte na próxima reunião, o mais provável é que a decisão seja unânime. Se tiver algum membro com opinião mais conservadora irá ser um pouco de ducha fria no mercado. E se tiver alguém com opinião mais agressiva de corte pode levar o mercado a achar que a próxima será mais agressiva e isso poderá ter impacto nos juros futuros. O melhor para o Copom é ser unânime dado que é uma reunião crítica. Ainda, acredito que eles terão cuidado em não deixar transparecer no comunicado que a próxima reunião seguirá esta no que diz respeito à magnitude do corte de juros.”

“A chance de um corte de 1 pp aumentou muito. A deterioração dos índices de atividade da economia é impressionante e assustadora. A pressão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ficou ‘fichinha’ perto da mudança para pior, muito pior no cenário macroeconômico. Uma redução de 1pp tem efeito muito mais psicológico e pouco na prática. Mas mostraria a predisposição em estimular a economia e coerência com as ações visando a irrigar o sistema.”

Mesmo que o Banco Central reduza a Selic em 1 pp, o Brasil continuará sendo o líder do ranking mundial de juros reais, conforme levantamento da UpTrend Consultoria. Para que o país perdesse o posto, seria necessária a redução de 3 pp – algo que nem os mais otimistas chegam a cogitar.

Desse modo, como trilha na sala de espera do Copom, vale a música Milagre Brasileiro, de Chico Buarque. ”É o milagre brasileiro, quanto mais trabalho, menos vejo dinheiro.”

20/01/2009

How many years can a mountain exist, before it’s washed to the sea?

Arquivado em: Opinião — Paula Laier @ 0:22

E chegou o dia! Barack Obama assume hoje a presidência dos Estados Unidos e escreve seu nome na história, não apenas por ser o 44º presidente norte-americano, mas por ser o primeiro negro a ocupar o cargo mais poderoso do mundo.  A posse, aliás, acontece um dia depois do feriado de Martin Luther King Jr., ativista político que liderou na década de 60 movimento pelo fim do segregacionismo nos EUA, entre outras questões.  

 

Em 1963, Luther King fez um discurso que se tornou famoso: Eu tenho um sonho. Era sobre a necessidade de união e coexistência harmoniosa entre negros e brancos no futuro. Há vários trechos, contudo, que poderiam facilmente ser reutilizados diante do contexto econômico atual da economia norte-americana e da expectativa que se criou em torno de Obama. “(…) Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros (…) Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo (…) um cheque que voltou marcado com ‘fundos insuficientes’(…) Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranquilizante do gradualismo (…) Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento (…) Nós não podemos caminhar só (…)” 

 

O pronunciamento, ironicamente, foi feito na Marcha de Washington por Empregos e Liberdade.  Após 46 anos, mais do que defender os direitos civis e a liberdade de ir e vir de todos os cidadãos norte-americanos, Obama precisará apresentar justamente propostas sólidas para devolver o emprego e recuperar a principal economia do planeta, arrasada na maior crise desde a Grande Depressão, de 1929. Os mercados já demonstraram alguma boa vontade e proporcionaram momentos de trégua sob o argumento da expectativa positiva em torno da nova administração, que substituirá a de George W. Bush. Mas além de promessas, o mercado aguarda ação. E foi justamente a falta disso o que levou o ambiente financeiro a retomar o viés negativo neste início de ano, quando o setor bancário voltou a preocupar com a temporada de balanços mostrando dados bastante ruins nas instituições financeiras.

 

No mesmo ano do discurso de Luther King Jr., Bob Dylan lançou o clássico Blowin ‘in the Wind, em que canta “how many years can a mountain exist, before it’s washed to the sea?”. Pode os EUA ser uma montanha com chance de ser submersa? Unfortunately, this time, the answer is not blowin’in the wind.

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